Dor no joelho na menopausa: por que me sinto com 20 anos, mas meu corpo dói?

Outro dia, eu estava dançando na minha cozinha ao som de “Girls Just Want to Have Fun”, da Cyndi Lauper, quando meus joelhos decidiram me lembrar que 1984 já fazia um bom tempo. Eu estava curtindo a música, me sentindo jovem e livre, com os braços no ar e tentando mexer um ensopado ao mesmo tempo. Meus filhos vieram me implorar para parar de dançar, porque, segundo eles, era muito constrangedor. Foi aí que a dor no joelho na menopausa apareceu de vez: depois de um tempo, meus joelhos começaram a ranger e reclamar, então, contra minha vontade, tive que parar.

Minha alma está sempre pronta para dançar, mas minhas articulações não compartilham do mesmo entusiasmo — acho que é isso que acontece depois de anos dançando de salto alto, pulando e, é claro, com a adição da “adorável” menopausa decidindo fazer parte da diversão também.

Por dentro, ainda me sinto como aquela jovem despreocupada de 20 e poucos anos que podia dançar a noite toda com sapatos de salto alto que hoje me assustariam — perdendo a noção do tempo com meus amigos na pista de dança. Olhando para trás, essas lembranças me fazem sorrir. Havia uma sensação de liberdade, como se nada mais importasse naquele momento e o amanhã estivesse muito longe. Hoje, aos 54 anos, minha playlist continua nostálgica e divertida como sempre, mas meu corpo não para de me lembrar que saltos altos e maratonas de dança são melhores quando ficam na memória. A dança ainda está na minha alma, mas agora priorizo o conforto em vez do estilo.

Meus joelhos não estão muito felizes com meu amor pelo movimento atualmente. Eles também parecem não gostar de escadas. Assim que subo ou desço as escadas, eles me fazem arrepender de ter feito isso. Minha mente diz “pista de dança”, mas meus joelhos “dizem”: “sofá e uma almofada térmica cada um”. Tão injusto!

É engraçado porque eu ainda me sinto jovem por dentro, mesmo que meu corpo faça o que quer e decida envelhecer sem me perguntar primeiro. Ainda faço as mesmas piadas, sonho acordada e encho minhas playlists com as melhores músicas dos anos 80 e não só. Mas levantar do sofá? Eu deveria ganhar uma medalha de ouro, porque, de alguma forma, algo tão simples se transformou em uma grande conquista.

Se você também está passando por isso, vale a pena dar uma olhada no Guia da Menopausa, onde explico em detalhes o que está acontecendo com o seu corpo e como cuidar melhor das suas articulações.

A ciência por trás da dor no joelho na menopausa

Acontece que há uma razão para tudo isso. Quando a menopausa chega, nosso estrogênio, o hormônio que mantém muitas coisas funcionando bem, dá uma pausa e, aparentemente, ele estava fazendo muito mais por nós do que imaginávamos.

O estrogênio não se resume apenas à menstruação ou às ondas de calor; ele realmente ajuda a manter nossas articulações protegidas, nossos músculos se movendo suavemente, nossos ossos fortes e até mesmo nosso humor e energia estáveis. Sem o apoio do estrogênio, nossas articulações perdem parte dessa proteção e cerca de metade a dois terços das mulheres acabam com dores nas articulações e nos músculos (quem se identifica?). Menos estrogênio significa que nosso corpo não combate a inflamação tão bem quanto antes, e é por isso que tarefas simples podem nos deixar muito cansadas.

Essa é a explicação porque correr para pegar o ônibus ou começar uma discoteca na cozinha (como eu!) se tornam muito mais difíceis para os nossos joelhos e músculos (novamente injusto!). Além disso, a queda do estrogênio pode causar confusão mental, razão pela qual você não consegue se lembrar onde colocou as chaves pela centésima vez (eu de novo)!

Muitas mulheres com mais de 50 anos notam dores nas articulações causadas pela menopausa. Nós rimos e reclamamos, mas nos adaptamos. Nos movemos de forma diferente, escolhemos sapatos mais confortáveis, alongamos um pouco mais e nos tornamos especialistas em aliviar rapidamente a dor sem perder o ritmo.

No entanto, nada disso deve fazer você se sentir derrotada. Nossos corpos estão mudando, mas nosso espírito continua vibrante!

dor no joelho na menopausa

Como continuo dançando

Então, eis como eu faço:

  • Continuo dançando, mesmo que seja apenas balançando o corpo  enquanto cozinho
  • Continuo ouvindo música alta, usando tampões de ouvido, é claro (alguém aí curte silent disco?), e abraçando cada pedacinho de nostalgia
  • Lembro a mim mesma que minha alma nunca envelhecerá se eu não quiser
  • Troco os saltos por tênis, uso compressas quentes e adoto movimentos menos dramáticos
  • Cuido da minha saúde: me mantenho ativa, faço alongamentos todas as manhãs e não ignoro as dores nas articulações (às vezes, descansar é justamente o avanço que o corpo precisa).

Lembre-se de que movimentar o corpo ainda é essencial, mesmo que pareça diferente do que era no passado. Se dançar lhe traz alegria, encontre um ritmo que funcione para você, seus joelhos e tudo mais! Ria das mudanças, compartilhe dicas com suas amigas e comemore o que seu corpo ainda pode fazer.

Nossa geração

Nós tínhamos paciência para jogar tênis no Atari, esperando o que pareciam horas para que aquela bola pixelizada chegasse ao outro lado da rede (quem se lembra disso?). Sobrevivemos a um mundo onde tudo era neon e nos tornamos profissionais de programação com nossos videocassetes antes que os controles remotos se tornassem inteligentes. Trocávamos fitas cassete com os nossos amigos e passávamos horas traduzindo as letras das músicas do A-HA, Depeche Mode e Pet Shop Boys rebobinando as cassetes inúmeras vezes até conseguirmos aprender a letra da música toda para cantarmos junto. Portanto, se alguém consegue lidar com algumas articulações rebeldes ou chaves que estão sempre faltando, é definitivamente nossa geração.

Continue dançando!

Se você gostou da leitura, ajude-nos a divulgar, apresente a Silverlocks para as suas amigas e vamos continuar nos animando — uma balada na cozinha de cada vez!

Aviso: Esta história é baseada em experiências pessoais e informações gerais e não substitui o aconselhamento médico.

 

Ann Moeller

Ann tem 54 anos e já está na pós-menopausa. Santista, mora na Europa desde 1990. Já esteve em Portugal, Alemanha, Inglaterra e, desde 2020 mora na Polônia. Estudou engenharia, trabalhou com marketing e criou e atuou como editora-chefe do site Brasileiras Pelo Mundo. Ann tem um casal de filhos adultos, adora dançar, nadar, música gótica e dos anos 80, quebra-cabeças e dias de inverno com neve. É apaixonada por psicologia — especialmente TDAH — depois de receber seu próprio diagnóstico aos 52 anos. Tem a síndrome de Ehlers-Danlos (tipo hipermobilidade), então conhece na prática os desafios da menopausa com dor crônica, fadiga e um sistema nervoso sensível. Silverlocks reúne sua experiência de vida, curiosidade, pesquisa sobre o “temido M” e histórias sinceras para mulheres prontas para abraçar um novo capítulo em suas vidas.

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