A menopausa e a hipermobilidade podem ser uma dupla desafiadora e quando falamos em hipermobilidade na menopausa, muitas vezes os sintomas de uma amplificam os da outra. Viver com ambas significa que dores nas articulações, fadiga e até mesmo problemas digestivos podem surgir ao mesmo tempo. Eu tenho 54 anos, estou na pós-menopausa e sofro de SED (Síndrome de Ehlers‑Danlos) com hipermobilidade, ou seja, passo metade do tempo me perguntando o que está causando o quê; por isso, entender como essas duas condições interagem é o primeiro passo para lidar com elas. Para entender melhor esses e outros sintomas, você pode visitar o Guia da Menopausa.
O que é hipermobilidade
Hipermobilidade refere-se a articulações que se movem além da amplitude normal (imagine acrobatas com as pernas dobradas atrás da cabeça). Quando essa flexibilidade vem acompanhada de dor e lesões articulares frequentes, pode ser um sinal de um distúrbio subjacente do tecido conjuntivo, como a síndrome de Ehlers-Danlos (SED). A SED é um grupo de condições genéticas que afetam o colágeno, a proteína que dá força e elasticidade à pele, ligamentos, vasos sanguíneos e órgãos.
A forma mais comum, a SED hipermóvel (hEDS), que eu tenho, é caracterizada por articulações instáveis e facilmente deslocáveis, dor crônica, pele elástica ou frágil, problemas digestivos, facilidade de hematomas e fadiga intensa frequente. Viver com SED significa lidar com sintomas visíveis e invisíveis que podem afetar todas as partes da vida diária.
Hipermobilidade na menopausa: como os hormônios afetam as articulações hipermóveis
A menopausa, com suas oscilações hormonais, afeta praticamente tudo no corpo. Níveis mais baixos de estrogênio e progesterona podem alterar o comportamento dos tecidos conjuntivos e dos músculos, o que pode exacerbar os sintomas para quem é hipermóvel.
Pesquisas e experiências clínicas sugerem que dores nas articulações, tendinite, dores musculares, alterações de humor, problemas de sono e fadiga podem se tornar mais intensos quando a hipermobilidade se soma à transição da menopausa (justamente quando eu pensava que não poderia piorar).
Algumas mulheres notam um aumento da frouxidão articular (aquela sensação de instabilidade), mais entorses, secura vaginal e agravamento da disfunção do assoalho pélvico. As alterações hormonais podem influenciar o tecido conjuntivo e o suporte pélvico, de modo que a menopausa e a hipermobilidade podem se alimentar mutuamente e amplificar os sintomas.
Sintomas digestivos causados pela a hipermobilidade na menopausa
A hipermobilidade não se limita às articulações. O mesmo tecido conjuntivo frouxo pode afetar o trato digestivo, levando a vários sintomas:
- Refluxo ácido (azia)
- Inchaço e desconforto abdominal
- Esvaziamento gástrico retardado e constipação
- Intolerâncias alimentares
- Dificuldade em evacuar
- SII – Síndrome do Intestino Irritável
- Prolapso dos órgãos pélvicos
Tudo isso se sobrepõe à menopausa, que também pode retardar a digestão, aumentar o inchaço e piorar os sintomas do SED – “Síndrome de Ehlers‑Danlos”.

Hipermobilidade na menopausa: quando os sintomas se sobrepõem
Há momentos em que a dor, a rigidez e a fadiga são piores do que nunca. A menopausa pode aumentar a dor nas articulações, enquanto a hipermobilidade torna a cura mais lenta e as lesões mais comuns. Acompanhar os sintomas pode ajudar — escrevendo em um diário ou usando um rastreador de sintomas. Para mulheres hipermóveis, a cura muitas vezes fica aquém das expectativas e os períodos de descanso podem precisar de ajustes.
Hipermobilidade na menopausa: como lidar com dores diariamente
A dores causadas pela hipermobilidade durante a menopausa podem exigir o uso de diferentes estratégias:
- Compressas quentes ou banhos quentes para acalmar os músculos tensos.
- Alongamentos suaves ou ioga restaurativa para apoiar as articulações e aliviar a dor.
- Meditação ou atenção plena para ajudar com a ansiedade e o estresse, que podem intensificar a dor.
- Tala ou cinta: usar suportes articulares durante exercícios ou tarefas diárias para evitar o alongamento excessivo e limitar o risco de lesões.
- Natação inteligente: sessões mais curtas e regulares. A natação costuma ser benéfica, mas também pode desencadear tendinite nas articulações hipermóveis.
Suplementos e nutrientes essenciais
- Magnésio: ajuda no relaxamento muscular, alivia cãibras e pode ajudar no sono e na ansiedade.
- Vitamina C: essencial para a síntese de colágeno e a cicatrização das articulações; considere tanto alimentos (frutas cítricas, brócolis) quanto suplementos.
- Cúrcuma: anti-inflamatório natural para artrite e dores nas articulações.
- Rosa mosqueta e urtiga: ricas em antioxidantes e compostos vegetais que apoiam o colágeno e reduzem a inflamação.
- Ácidos graxos ômega-3: encontrados na chia, linhaça, nozes e peixes gordos ou suplementos. São anti-inflamatórios naturais; úteis para dores e sintomas da menopausa.
Lembre-se de que a dosagem e as interações devem sempre ser verificadas com um médico/clínico geral.
Alimentos com efeito anti-inflamatório
- Verduras folhosas: ricas em magnésio, vitaminas e compostos anti-inflamatórios.
- Nozes e sementes: amêndoas, castanhas de caju, sementes de abóbora.
- Grãos integrais: quinoa, arroz integral para adicionar fibras.
- Alimentos ricos em fibras: grãos integrais, legumes e vegetais ajudam na digestão e na saúde intestinal.
- Limite o açúcar e os alimentos processados: eles agravam a inflamação e os problemas digestivos.
- Hidratação adequada: água, chás de ervas (ashwagandha e cohosh preto podem ajudar em alguns sintomas da menopausa, mas sempre consulte seu médico para saber a dosagem correta).
Controle do pesos e da resistência à insulina
A menopausa agrava a resistência à insulina — um verdadeiro desafio para o controle do peso. A redução do estrogênio, o aumento da gordura abdominal, a perturbação do sono, o estresse e a redução da atividade física são fatores que contribuem para isso. Veja o que pode ajudar:
- Concentre-se em alimentos com baixo índice glicêmico: grãos integrais, legumes, vegetais sem amido.
- Treino de força: ajuda na massa muscular, mobilidade e sensibilidade à insulina.
- Exercícios aeróbicos, como caminhada ou ciclismo: úteis para a saúde metabólica geral.
- Refeições pequenas e frequentes: podem ajudar a controlar os picos de açúcar no sangue.
- Controle do estresse: meditação e respiração profunda para reduzir os picos de cortisol.
Vivendo com hipermobilidade na menopausa no dia a dia
- Seja gentil com seu corpo: a cura leva mais tempo, contratempos acontecem.
- Acompanhe seus sintomas: diários ajudam a separar a menopausa da hipermobilidade.
- Descanse e controle seu ritmo: aproveite os dias bons, respeite os ruins.
- Priorize a saúde mental: a ansiedade e o mau humor podem ser opressivos — não hesite em procurar ajuda.
- Comemore pequenas vitórias cada vez que fizer natação ou quando for caminhar, já que cada articulação se tornará um pouco mais estável e será importante para o seu bem-estar a longo prazo.
Minha experiência vivendo com hipermobilidade na menopausa
Olhando para trás, há dez anos, a vida com SED já significava que eu precisava controlar meu ritmo — se me sentisse cansada ou com dores, eu parava, descansava por alguns dias e geralmente me recuperava o suficiente para continuar no mesmo ritmo. Hoje em dia, a menopausa é como uma hóspede complicada que se mudou para minha casa, trazendo muitos novos desafios. Do nada passei a ter novos problemas de saúde e o pior é a resistência à insulina; agora, não importa o quanto eu coma de forma sensata ou o quanto eu queira perder peso, a balança se recusa a se mover.
Natação é o único exercício suave o suficiente para minhas articulações e, quando finalmente consigo criar uma rotina — motivada, determinada a nadar três vezes por semana —, algo dá errado. Meus ombros hipermóveis não aguentam a ação repetitiva e acabo com tendinite nos ombros regularmente. No ano passado foram os joelhos e o cóccix — tive tanta dor que eu não conseguia andar nem sentar. Foi, para dizer o mínimo, um período interessante. Às vezes sinto que estou sendo penalizada só por tentar cuidar de mim mesma e ser saudável.
É frustrante. Quando a dor ou a fadiga atacam, eu me pergunto: isso é menopausa ou SED? A verdade é que são as duas coisas — a menopausa está intensificando meus sintomas de hipermobilidade, enquanto a hipermobilidade está alimentando minhas dificuldades com a menopausa. Pode parecer uma disputa interminável, sem um vencedor claro, mas mesmo quando parece impossível, eu me lembro que descansar e não desistir são os únicos caminhos a seguir. E se compartilhar como isso pode ser difícil ajudar outra pessoa a se sentir menos sozinha, então pelo menos a batalha não é em vão.
Você já teve experiências semelhantes vivendo com hipermobilidade na menopausa? Se tiver alguma dica ou pergunta, adoraria ouvir. Compartilhe suas ideias nos comentários!
Aviso: Consulte sempre o seu médico reumatologista/especialista em menopausa em caso se identifique com o artigo. O Silverlocks fornece apenas informações de apoio, não substituindo os cuidados médicos.
Referências (em inglês)




