Em 2023, com 52 anos, quando um médico confirmou que eu tinha TDAH, não fiquei surpresa, para ser sincera. Depois de tantos anos me sentindo “diferente”, lutando para me concentrar e estudar, dormir bem, sendo tão agitada e precipitada, percebi que o diagnóstico de TDAH depois dos 50 finalmente dava um nome a tudo isso.
De repente, o caos constante na minha cabeça fez sentido. Agora, finalmente tenho uma resposta: TDAH. Meu cérebro criativo e curioso simplesmente funciona de maneira um pouco diferente do das outras pessoas, mas, ao longo da minha vida, paguei um preço alto por não saber que tinha essa condição.
Se você estiver na casa dos 40 e quiser entender melhor como TDAH, hormônios e menopausa podem se misturar, vale dar uma olhada no Guia da Menopausa, a página principal do Silverlocks com explicações claras sobre sintomas e próximos passos para conversar com o seu médico.
Diagnóstico de TDAH depois dos 50 anos: Pistas na infância
Eu sou a mais nova de três irmãos e isso muitas vezes me dava carta branca para fazer travessuras. Desde muito cedo, eu já apresentava todos os sinais, mas nos anos 70, quem pensaria em TDAH? Acho que meus pais nunca tinham ouvido falar disso. Para minha família, eu era apenas “nervosa, esquecida, curiosa, impaciente e impulsiva”, tão diferente do meu irmão e irmã.
Me lembro das vezes em que fui levada para ser vista por um neurologista, o Dr. Crispin, eu deveria ter uns 7, 8 anos. Meus pais esperavam encontrar alguma explicação para o meu comportamento. No entanto, a resposta era sempre a mesma: ele dizia, depois de fazer um eletroencefalograma/EEG, que não havia nada de errado comigo. Eu era simplesmente… uma criança diferente. Meus pais, então, achavam que eu iria crescer e me tornar “normal”, assim como meus irmãos – spoiler: claro que nunca aconteceu. Sempre fui muito diferentes deles.
Diagnóstico de TDAH depois dos 50 anos: Vida escolar
Na escola, minhas notas eram boas e eu tinha muitos amigos. Mesmo assim, eu tinha problemas que ninguém mais parecia notar. Minha maneira de pensar em preto e branco tinha o dom de sabotar amizades de vez em quando. Às vezes, eu era tão direta que conseguia acabar com uma amizade com apenas uma palavra.
Minha pobre mãe era sempre chamada à escola porque eu frequentemente me metia em encrencas. Por que isso acontecia? Eu defendia os problemas das outras crianças e, de alguma forma, acabava sendo a culpada, mesmo quando não era realmente minha culpa. Isso aconteceu muitas vezes durante o ensino fundamental. A diretora chegou a dizer uma vez para minha mãe: “Ela daria uma excelente advogada!” E, para falar a verdade, ainda sou assim, pavio bem curto para certas situações.
Diagnóstico de TDAH depois dos 50 anos: Vida adulta e oportunidades perdidas
Minha vida adulta não trouxe paz. Perdi muitas oportunidades — empregos, vagas em cursos competitivos, entre outras. Eu estava sempre mudando de ideia e procurando por algo diferente. Comecei mais cursos do que consigo contar, mas sempre os largava antes de terminar. Havia certos comportamentos que moldavam minha vida e que eu não conseguia enxergar, e eu simplesmente assumia que o que eu estava fazendo era normal, porque eu era jovem. Hoje em dia, a bagunça que fiz da minha vida está muito clara.
Desde que descobri que tenho TDAH, sinto como se alguém tivesse limpado a névoa dos meus óculos. A agitação constante, a curiosidade infinita e os planos abandonados finalmente têm um nome. Me sinto um pouco aliviada por finalmente entender o meu comportamento no passado. É claro que há arrependimentos, e ainda sinto muita raiva de mim mesma quando penso nas oportunidades perdidas, mas não posso voltar atrás e corrigir todos os erros, nem reconstruir todas as pontes que queimei, então estou aprendendo a conviver com eles.

Viver com TDAH depois dos 50
Conheço algumas pessoas que acham que ter TDAH é como ter um superpoder ou algo especial. Na maioria das vezes, não sinto isso. Gasto muita energia tentando manter minha vida organizada e lidando com as preocupações que minha mente parece criar. Tenho que lidar com distrações constantes e as vezes é como se meu cérebro fosse meu pior inimigo. Para mim, não se trata de ter alguma habilidade especial, mas de aprender a lidar com a maneira como meu cérebro funciona.
No entanto, aqui está meu lado positivo. Se o TDAH me deu algo realmente especial, foi meu sexto sentido. Minha intuição nunca me falha. Eu percebo as coisas rapidamente e, em situações de caos ou crise, geralmente sou a primeira a resolver as coisas ou, pelo menos, a pensar em algo. As ideias surgem do nada. Meus pensamentos podem ser caóticos na maioria das vezes, mas essa inquietação realmente me ajuda a ser criativa e encontrar soluções inteligentes. Na verdade, essa mistura de intuição e imaginação parece ser meu superpoder oculto, se é que posso chamá-lo assim.
Compreendendo os sintomas do TDAH em mulheres com mais de 50 anos
Receber o diagnóstico de TDAH depois dos 50 anos foi uma revelação. Depois de décadas me culpando, finalmente estou começando a aceitar quem eu sou. É difícil lidar com algumas tarefas, mas agora consigo apreciar como a conexão única do meu cérebro me abençoou com um pensamento inovador. Só gostaria de ter ficado sabendo disso antes. Talvez eu não tivesse perdido tantas oportunidades e estivesse em uma situação diferente, mas estou feliz por finalmente entender o motivo agora. Se algo disso soa familiar, espero que minha história ajude você a lembrar: você definitivamente não está sozinha.
Para mulheres após a menopausa, os sintomas do TDAH podem piorar. A redução do estrogênio pode afetar a memória, a atenção e o humor. Muitas mulheres descrevem que se sentem mais ansiosas, com problemas para dormir e enfrentam dificuldades com a gestão do tempo. Algumas dizem que ficam mais facilmente frustradas ou sobrecarregadas. Essas mudanças não se devem apenas à idade — elas estão relacionadas à forma como o TDAH interage com as alterações hormonais. Eu sou a prova viva disso.
Mas não perca a esperança: muitas de nós descobrimos que pequenos truques ajudam — usar alarmes, organizadores de comprimidos, calendários com códigos de cores, quadros de parede (eu uso todos). E, para muitas, finalmente compreender a si mesma traz menos culpa.
Nunca é tarde demais para mudar
A jornada de cada mulher com TDAH é diferente. Depois dos 50 anos, é fácil se perguntar: “Será que sou só eu?” Honestamente, não é. Algumas de nós são diagnosticadas jovens, outras mais tarde e muitas — como eu — depois de passar metade da vida em busca de respostas. Compartilhar nossas histórias ajuda a trazer compreensão.
Esta é a minha história pessoal. Não estou dizendo que seja verdade para todas as pessoas. A experiência de cada pessoa é única, e não há uma maneira somente de descrever a vida com TDAH. O que é difícil para mim pode ser fácil para outra pessoa — e vice-versa. Espero que compartilhar minha experiência ajude outras mulheres, mesmo que seja apenas um pouco.
Se você também foi diagnosticada com TDAH mais tarde na vida — ou está se perguntando se essa também pode ser a sua história —, adoraria ouvir você. Suas experiências, grandes ou pequenas, podem fazer outra mulher se sentir vista e um pouco menos “deslocada”. Se você se sentir à vontade, compartilhe sua jornada nos comentários para que outras Silverlockers possam aprender com você e lembrar que não estão sozinhas nesse caminho.
Este relato é baseado na minha experiência pessoal e tem caráter apenas informativo, não substituindo avaliação, diagnóstico ou tratamento com um profissional de saúde qualificado.
Referências – (em inglês)
- National Library of Medicine – The impact of living with undiagnosed ADHD and adult diagnosis on women
- NHS – ADHD in adults
- Henry Ford Health – Why ADHD is often under diagnosed in women
- JSTOR Daily – The History of a diagnosis
- The Guardian – Chaotic and curious women with ADHD all have missed red flags
