Gordura abdominal na menopausa: riscos para a saúde intestinal e como reduzir

Se você tem mais de 50 anos e às vezes se pergunta por que aquele peso extra não diminui, por mais que você se esforce, saiba que não está sozinha! Eu costumava pensar que meu ganho de gordura abdominal na menopausa era apenas uma questão de hormônios e idade, mas há outra peça do quebra-cabeça que ninguém fala o suficiente: a saúde intestinal.

Para entender melhor esses e outros sintomas, você pode visitar o Guia da Menopausa.

Gordura abdominal na menopausa e a saúde intestinal

Durante anos, atribuímos o aumento de peso na menopausa à queda dos níveis de estrogênio, ao metabolismo mais lento e, talvez, ao consumo excessivo de alimentos reconfortantes. Mas os pesquisadores afirmam agora que a menopausa altera o intestino de formas que podem levar ao aumento de peso persistente e até mesmo a um humor mais irritadiço.

  • À medida que os hormônios diminuem, a comunidade de bactérias benéficas no seu intestino — chamada de microbioma intestinal — muda. Esses micróbios ajudam na digestão, regulam a inflamação, controlam os hormônios da fome e até ajudam a manter o seu metabolismo funcionando.
  • Quando os níveis de estrogênio caem durante a menopausa, o número de bactérias benéficas, como Lactobacillus e Bifidobacteria, pode diminuir significativamente, de acordo com estudos clínicos. Essa redução afeta a saúde intestinal e vaginal, tornando as mulheres maduras mais propensas a ter problemas digestivos, inchaço e até mesmo aumento da inflamação. Esses “micróbios bons” ajudam na digestão, na imunidade e no controle das bactérias nocivas, portanto, sua redução é uma razão importante — mas muitas vezes esquecida — pela qual a saúde intestinal pode mudar tanto após a menopausa.

Muitas mulheres em um grande estudo disseram que sua digestão mudou durante a perimenopausa e a menopausa.

Inchaço, prisão de ventre e intolerância alimentar

  • Inchaço: Parece que sua barriga virou um balão à tarde, mesmo que suas calças jeans sirvam pela manhã.
  • Constipação e digestão lenta: De repente, sua “regularidade” não é mais tão regular.
  • Gases e intolerância alimentar: Vegetais, feijões, lentilhas — às vezes, alimentos saudáveis podem fazer você se sentir péssima.
  • Azia e refluxo ácido: Muitas mulheres percebem isso durante a menopausa.

Tudo isso está relacionado a mudanças nas bactérias intestinais e nos níveis hormonais. É comum — e você não está imaginando coisas.

Minha digestão realmente piorou desde que a menopausa começou. Sempre tive muitas intolerâncias alimentares devido à hipermobilidade que mexe com meu intestino, mas ultimamente parece haver ainda mais. Me sinto mal depois de comer vários tipos de alimento — e nem vou comentar sobre o tamanho da minha barriga.  O famoso “M” está realmente me dando um balie daqueles!

Intestino feliz, vida feliz

Você já percebeu que a gordura abdominal na menopausa é difícil de ser controlada, não importa o que você faça? Não se trata apenas de hormônios — pode ser também o seu intestino.

  • A microbiota intestinal ajuda a processar os alimentos, absorver nutrientes e manter a inflamação sob controle. Quando ela perde diversidade (especialmente após a menopausa), o metabolismo fica ainda mais lento.
  • Algumas bactérias intestinais ajudam a queimar gordura; outras podem fazer com que você tenha mais tendência a armazená-la. Se o seu microbioma estiver desequilibrado, você pode sentir mais fome, desejar carboidratos e armazenar gordura na barriga.

Os cientistas agora afirmam que melhorar a saúde intestinal pode ajudar a combater o ganho de peso relacionado à menopausa — e até mesmo fazer com que você se sinta mais enérgica, menos inchada e de melhor humor. Isso é uma boa notícia!

A conversa entre o intestino e os hormônios

Você sabia que as bactérias do seu intestino ajudam a controlar os níveis de estrogênio, decompondo hormônios antigos e, às vezes, até mesmo reciclando-os de volta para o seu corpo? Quando a menopausa reduz o estrogênio, as bactérias do seu intestino mudam, às vezes piorando os sintomas.

  • Uma boa saúde intestinal significa um metabolismo hormonal mais suave, o que pode ajudar com ondas de calor, alterações de humor e até mesmo o desejo sexual.
  • O “estroboloma” é o conjunto de bactérias no seu intestino que gerencia o estrogênio. Após a menopausa, mudanças no estroboloma podem aumentar a gordura abdominal, a inflamação e o risco de síndrome metabólica.

gordura abdominal na menopausa

Conexão entre a sua dieta, estilo de vida e intestino

O que você pode fazer para deixar seu intestino — e seu peso — mais felizes durante e após a menopausa? Aqui estão algumas medidas simples e comprovadas cientificamente:

1. Priorize as fibras

  • Alimentos ricos em fibras, como grãos integrais, lentilhas, feijões e vegetais, alimentam as bactérias boas do intestino e auxiliam na digestão.
  • Comece devagar se as fibras causarem inchaço. Aumente gradualmente para evitar desconforto.

2. Alimentos fermentados para bactérias benéficas

  • Iogurte, kefir (mesmo não lácteo), chucrute, kimchi e vegetais fermentados introduzem micróbios saudáveis no seu intestino.
  • Eles podem ajudar a restaurar o equilíbrio e ajudar na digestão regular.

3. Evite alimentos processados e açúcar

  • Alimentos processados e excesso de açúcar podem alimentar bactérias problemáticas e piorar a inflamação.
  • Concentre-se em refeições com alimentos integrais na maior parte do tempo.

4. Hidrate-se

  • Procure beber de 1,5 a 2 litros de água por dia. Chás de ervas também contam!

5. Controle o estresse

  • O estresse e a falta de sono podem perturbar seu intestino — experimente fazer movimentos suaves, quebra-cabeças, caminhadas ou conversar com amigos para manter o estresse sob controle.

6. Mexa o corpo

  • Os exercícios não servem apenas para queimar calorias — eles ajudam a manter seu intestino em movimento (literalmente!). Atividades leves como caminhada, natação, ioga ou dança também contam.

7. Magnésio, cálcio e vitaminas B

  • Esses nutrientes são essenciais para a saúde dos nervos, intestino e ossos. Se você tiver deficiência desses nutrientes, converse com seu médico sobre exames ou suplementos.

8. Probióticos ou TRH

Gordura abdominal na menopausa e o que funcionou para mim

  • Se os legumes deixam você inchada durante a noite, experimente comê-los cozidos para facilitar a digestão. Eu costumo comer muitos tomates e isso se tornou um problema, portanto tento evitar no jantar.
  • Eu não como sobras. Percebi que se a comida não estiver fresca e tiver sido reaquecida, ela me deixa inchada e indisposta. Fique atenta se o mesmo estiver acontecendo com você.
  • Mantenha um “diário alimentar e de sintomas” por uma semana — você identificará padrões entre o que come e como se sente.

Gordura abdominal na menopausa e saúde intestinal

O famoso “M” altera seu corpo de uma maneiras  — incluindo seu intestino. Ouça o seu corpo e se sentir preocupada, converse com um médico que entenda de menopausa e saúde intestinal.

Você notou mudanças na sua digestão ou saúde intestinal desde que a menopausa começou? Compartilhe seus sintomas, dicas ou perguntas nos comentários abaixo — sua experiência pode ajudar outra leitora do Silverlocks a se sentir compreendida e apoiada.

Aviso: Este artigo destina-se apenas a fins informativos e de apoio geral. Não substitui o aconselhamento, diagnóstico ou tratamento personalizado do seu médico gastroenterologista, especialista em menopausa ou qualquer outro profissional de saúde qualificado. Nunca ignore ou adie a procura de aconselhamento médico devido a algo que tenha lido aqui no Silverlocks.

Referências – (em inglês)

 

Ann Moeller

Ann tem 54 anos e já está na pós-menopausa. Santista, mora na Europa desde 1990. Já esteve em Portugal, Alemanha, Inglaterra e, desde 2020 mora na Polônia. Estudou engenharia, trabalhou com marketing e criou e atuou como editora-chefe do site Brasileiras Pelo Mundo. Ann tem um casal de filhos adultos, adora dançar, nadar, música gótica e dos anos 80, quebra-cabeças e dias de inverno com neve. É apaixonada por psicologia — especialmente TDAH — depois de receber seu próprio diagnóstico aos 52 anos. Tem a síndrome de Ehlers-Danlos (tipo hipermobilidade), então conhece na prática os desafios da menopausa com dor crônica, fadiga e um sistema nervoso sensível. Silverlocks reúne sua experiência de vida, curiosidade, pesquisa sobre o “temido M” e histórias sinceras para mulheres prontas para abraçar um novo capítulo em suas vidas.

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